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  REVISTA CHC 181 :: JULHO DE 2007

                                                                                                                               Ilustração: Mariana Massarani  

No final de 2006, cientistas da Universidade Jadavpur, localizada em Calcutá, na Índia, anunciaram o desaparecimento de duas ilhas situadas em seu país. Uma delas, Lohachara, foi lar de mais de 10.000 pessoas no passado. Hoje, está submersa, assim como Suparibhanga, uma ilha próxima, que era desabitada. A descoberta, feita por meio de imagens de satélite, ganhou as páginas dos principais jornais brasileiros.

Embora a maior parte da imprensa tenha atribuído o sumiço dessas porções de terra à elevação do nível dos oceanos, é mais provável que o seu desaparecimento esteja relacionado a alterações no clima do planeta, que têm ocorrido nas últimas décadas e contribuem, por exemplo, para um aquecimento anormal dos oceanos. Isso afeta a atmosfera, permitindo a formação de ciclones e ventos fortes que, por sua vez, propiciam a formação de grandes ondas de tempestades, que são capazes de provocar a erosão de praias e até de ilhas – processo que pode causar o seu desaparecimento em longo prazo.

Porém, se as mudanças climáticas globais contribuíram para o desaparecimento das duas ilhas indianas, saiba que elas também estão ligadas ao surgimento de uma nova ilha no planeta. Em abril de 2007, um centro de pesquisas dos Estados Unidos confirmou, por meio de imagens de satélites, essa descoberta, feita por um explorador americano.

Localizada na costa leste da Groelândia, a nova ilha era considerada a ponta de uma península. Uma grande geleira que a ligava ao continente, porém, derreteu, deixando essa porção de terra cercada apenas pelas águas do oceano Ártico, sem conexão com o continente. Por isso, a ilha acabou sendo batizada como Ilha do Aquecimento.

Embora seja sempre um fato curioso, é comum ilhas surgirem e desaparecerem. Para você ter uma idéia, no fundo do oceano Pacífico, há muitas elevações, com cerca de dois mil metros, de topo achatado. Trata-se de vulcões antigos, que cessaram de expelir lava e morreram. No passado, essas montanhas estiveram na superfície. Porém, por estarem localizadas sobre o fundo oceânico, acabaram por exercer peso sobre ele, afundando a crosta do oceano ao longo do tempo, passando a ficar, então, submersas.

Mas se esse é um exemplo de ilha que desapareceu, no sul da Islândia, uma ilha vulcânica – Surtsey – se formou rapidamente. Em novembro de 1963, pescadores viram fumaça saindo da água. Tratava-se de um vulcão se elevou até 174 metros acima do nível do mar e entrou em extinção em 1967. Uma outra ilha também está surgindo ao sul do Havaí: o vulcão Lo'ihi tem 3 mil metros de altura e está a apenas mil metros abaixo da superfície do mar. O seu desenvolvimento é acompanhado pelos pesquisadores da Universidade do Havaí. Só mesmo a Terra para ter eventos tão incríveis!


Isa Brehme
Programa de Pós-Graduação em Geologia e Geofísica Marinha,
Universidade Federal Fluminense

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