SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 
   
   
   
   
   
 
 PERFIS - WARWICK ESTEVAM KERR

Uma vida dedicada às abelhas
Pesquisas do brasileiro Warwick Kerr também incluem melhoria genética de alimentos

Considerado um dos maiores geneticistas brasileiros e o maior especialista em genética de abelhas do mundo, Warwick Estevam Kerr dedica sua vida profissional sobretudo ao estudo desses insetos e ao melhoramento genético de alimentos. Nascido em Santana de Parnaíba (SP) a 9 de setembro de 1922, Kerr ficou conhecido internacionalmente em 1950, quando realizou um trabalho inédito sobre a determinação de castas em abelhas do gênero Mellipona (sem ferrão).

(fotos deste perfil cedidas pela assessoria de comunicação do Inpa)

Outros feitos emblemáticos do geneticista foram a introdução em 1956 no Brasil da abelha africana e o desenvolvimento da abelha africanizada -- híbrido das espécies européia e africana, mais dócil e grande produtor de mel. No domínio da horticultura, um de seus estudos mais significativos foi o desenvolvimento de uma variedade de alface 20 vezes mais rica em vitamina A, que pode ajudar a combater doenças motivadas por avitaminoses.

Após passar por diversos centros de pesquisa, Warwick Kerr tornou-se em 1989 professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), de onde está de licença desde 1999 -- quando assumiu pela segunda vez a direção do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Kerr planeja deixar a direção do instituto para se dedicar ao estudo de abelhas sem ferrão. Outro motivo alegado para a decisão é a burocracia que dificulta a contratação e formação de novos cientistas no Inpa. "A falta de verba é um entrave ao desenvolvimento de pesquisas", afirma. "Os deputados devem abrir os olhos para Amazônia, onde não se passam duas semanas sem novas descobertas e resultados", completa o cientista, que tem grande carinho pela região e sua população.

Apicultor ensina a Kerr como dividir colméias de abelhas sem ferrão

O geneticista acredita que a ciência deva ser feita em benefício do povo e defende a aplicação de projetos com impacto imediato na vida das pessoas, embora reconheça a importância da realização da ciência pura -- como a genética de determinação dos sexos, um de seus campos de estudo.

Para o cientista, um país só se desenvolve com educação e pesquisa. Por isso, ele sempre prioriza a formação de pesquisadores e grupos de estudo: cria linhas de pesquisa, põe em prática seus resultados e estende esse conhecimento a vários níveis de ensino -- de alunos de 1º e 2º graus a doutorandos.

No total, Kerr tem 585 artigos publicados e um currículo que inclui passagens pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro (atual Unesp), na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Kerr foi reitor da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), além de primeiro diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp); foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Sociedade Brasileira de Genética. O cientista foi ainda o primeiro brasileiro eleito membro estrangeiro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, em 1990.

Caroline Vilas Bôas
Ciência Hoje on-line
janeiro/2002

 

 
  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO