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 ESPECIAIS :: COP8-MOP3

E o gancho vai para...
Organizações ambientais ‘premiam’ os grandes vilões da biopirataria mundial


Apresentadores do prêmio 'Capitão Gancho da Biopirataria', entregue durante a COP8.

Um homem fantasiado de capitão e uma mulher vestida de camponesa comandaram a cerimônia de entrega do prêmio ‘Capitão Gancho da Biopirataria’ na tenda externa da Expo Trade, em Pinhais, durante a COP8. A premiação ‘homenageia’ empresas, países e pessoas que, segundo as organizações sociais, fomentam a biopirataria internacional. Às entidades e movimentos sociais que a combatem foi entregue o prêmio ‘Cog’. Os Cogs eram navios que repeliam ataques de piratas.

O primeiro agraciado foi a empresa Syngenta, na categoria ‘Pior Ameaça à Soberania Alimentar’. A Syngenta é alvo dos movimentos sociais por ser detentora de uma patente da tecnologia terminator – esse método permite que se modifiquem as sementes de uma planta, tornando-as estéreis. Após o anúncio do vencedor, os organizadores ironizaram o fato de nenhum representante da empresa ter aparecido para levar o troféu.

A empresa Delta & Pine Land, por afirmar que a tecnologia terminator seria uma forma de evitar a contaminação do meio ambiente, recebeu o prêmio ‘Maquiagem Extrema’. “Tentam nos convencer de que a tecnologia terminator é inofensiva”, disse a camponesa apresentadora. Canadá, Austrália e Nova Zelândia ficaram com o prêmio ‘Eixo do Mal’ por terem se manifestado favoravelmente ao item da pauta da COP8 que abre uma brecha na moratória contra as pesquisas da tecnologia terminator e o cultivo de sementes modificadas por meio dessa tecnologia.

No total, foram distribuídos 10 ‘ganchos’ a empresas consideradas biopiratas. O prêmio, que está em sua sexta edição, é organizado pelo Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração (ETC Group). Os premiados foram escolhidos por uma coalizão de grupos ambientalistas de todo o mundo. “As empresas ‘premiadas’ aqui são as mesmas que estão nas plenárias influenciando as decisões dos governos”, denunciou Veronica Villas Arias, do ETC, que fez o papel de camponesa na apresentação do prêmio.

Depois da brincadeira, vários grupos sociais foram homenageados pelo combate à biopirataria. Organizações brasileiras, africanas, mexicanas e indianas foram premiadas. O Grupo da África na CDB venceu a categoria ‘Melhor Defensoria’ por sua forte oposição ao terminator, e o Grupo dos 77 + China, que se manifestou contra a tecnologia, também foi citado. Diversas pessoas ligadas ao direito ambiental foram homenageadas por terem impugnado em 2000 a patente de um fungicida derivado da árvore indiana Neem, de propriedade da Oficina Européia de Patentes.



Murilo Alves Pereira

Especial para a CH On-line / PR
29/03/2006

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