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 ESPECIAIS - A AMAZÔNIA EM DEBATE

Uma floresta gigantesca em debate
CH on-line inaugura série de textos sobre a Amazônia, tema de reunião especial da SBPC

A De 25 a 27 de abril, cientistas de todo o Brasil estarão reunidos em Manaus (AM) para discutir um dos maiores tesouros do país: a floresta amazônica. A 7a reunião especial da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) tratará do tema ’A Amazônia no Brasil e no mundo’ e abordará questões como cultura indígena, desenvolvimento regional, desmatamento, biodiversidade, águas, doenças na floresta ou avanços da pesquisa científica na região.

O território total da Amazônia equivale a três quintos do Brasil,
país que abriga 69% de toda a floresta


A Amazônia, maior floresta do mundo, se espalha por seis países da América Latina e representa a vigésima parte de toda a superfície continental da Terra. Ali, concentra-se a maior biodiversidade do planeta. Seu principal rio, o Amazonas, lança no Oceano Atlântico de 15 a 20% de toda a água despejada por rios em mares em todo o mundo.

O aproveitamento da Amazônia é foco de polêmica entre pesquisadores, ecologistas e representantes do poder público quando se discute o desenvolvimento do Brasil. O grande desafio é conseguir equilibrar a exploração de recursos, o avanço econômico da região e a conservação de suas riquezas naturais - o chamado desenvolvimento sustentável. No entanto, enquanto se debate o que fazer, a floresta continua a ser devastada. "Nos últimos 25 anos, já foi derrubada uma área equivalente a mais de duas vezes o estado de São Paulo", diz Aziz Ab’Sáber, geógrafo da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro Amazônia - do discurso à praxis.

A floresta já foi vista como uma fronteira agrícola a ser explorada, até que se descobriu que boa parte do seu solo é pobre. Hoje, as propostas para sua exploração vão do corte seletivo de árvores à negociação de sua atuação como sumidouro de gás carbônico. No entanto, todas essas propostas geram controvérsias. "No corte seletivo, por exemplo, derrubam-se árvores de até 600 anos e, em troca, planta-se uma mudinha", critica Ab’Sáber.

Já o uso do gás carbônico absorvido pelas árvores na fotossíntese como moeda de troca em negociações internacionais esbarra na delicada questão da soberania nacional - e traz à tona o fantasma da internacionalização da Amazônia. "A partir da convenção da biodiversidade, assinada no Rio em 1992, essa possibilidade deixou de existir", explica Ângelo Machado, zoólogo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Biodiversitas. Até então, a biodiversidade era considerada patrimônio mundial. A convenção, no entanto, estabeleceu que ela pertence ao país em que se encontra.

A Amazônia é o tema central de mais um Especial CH on-line. Nos próximos dias, você poderá ler aqui textos que abordarão alguns dos principais debates que envolvem a floresta: biodiversidade, riqueza química, recursos hídricos, ocupação humana, devastação e reflorestamento, desenvolvimento sustentável, papel da Amazônia nas mudanças do clima global e biopirataria.


Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ
abril/2001

 
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