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 ESPECIAIS - ELEIÇÕES 2002

Mídia impressa trata candidatos com neutralidade
Pesquisador constata isenção em análise da cobertura de eleições municipais em SP


"A Globo elegeu o Collor." "A imprensa defendeu o Plano Real." É comum ouvirmos pontos de vista como esses, que sugerem que parte da opinião pública brasileira vê a imprensa como parcial e partidária. Por não concordar com essas premissas, o professor de ciências sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Fernando Azevedo fez um estudo para avaliar o comportamento da imprensa escrita nas eleições para a prefeitura de São Paulo em 2000. "Constatei um saudável processo de distanciamento e neutralidade em relação aos candidatos e partidos políticos", revela. Sua pesquisa, divulgada na revista Opinião Pública de novembro de 2001, terá prosseguimento com a análise do comportamento da imprensa nas eleições para o governo de São Paulo em 2002.

Leitores acompanham manchetes de jornais em banca no Rio


"O mercado está cada vez mais competitivo, e para conquistar maior audiência e publicidade, a imprensa adotou uma postura imparcial e objetiva", explica Azevedo, que fundamentou seu estudo em uma extensa bibliografia. "A mídia se tornou um fórum de discussões políticas tão importante como o parlamento e os partidos políticos, o que levou à formação de jornalistas identificados com uma ética de prestação de serviços ao leitor."

Para avaliar o comportamento da imprensa escrita durante as eleições de 2000, Azevedo rastreou o noticiário político dos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e Agora São Paulo. O pesquisador considerou o espaço dedicado a cada candidato no conteúdo das reportagens (e não de colunas e editoriais) e avaliou se elas se referiam aos candidatos de forma positiva, negativa ou neutra. A cobertura seria considerada imparcial se o percentual de matérias neutras fosse igual ou maior do que 50%.

O estudo concluiu que o espaço dedicado a cada candidato correspondia a sua posição nas pesquisas de intenção de voto -- tendência também verificada em um primeiro momento na análise da cobertura jornalística das eleições estaduais paulistas de 2002, que adota a mesma metodologia empregada em 2000 (o jornal Agora SP foi substituído pelo Diário de S. Paulo).

Fernando constatou ainda que os jornais mantiveram uma posição neutra em relação aos candidatos à prefeitura. A Folha e o Estado tiveram uma média de 70% de matérias neutras sobre cada concorrente. O jornal Agora SP se desviou um pouco desse padrão e ficou com uma média de 55% de matérias neutras. "O Agora é um jornal com um enfoque mais popular, carregado de adjetivos", explica Fernando.

O estudo de Azevedo se insere em um projeto mais amplo financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e coordenado pela cientista política Vera Chaia, da PUC-SP, que analisa a influência da mídia na escolha do eleitor. Os pesquisadores se voltam agora para as próximas eleições. "Os interesses em jogo em uma eleição para o estado de São Paulo são muito maiores do que para a capital", frisa Fernando. "Por isso a continuidade do estudo em 2002 é de extrema relevância para se avaliar o comportamento da imprensa escrita."


Denis Weisz Kuck
Ciência Hoje On-line
23/09/02

 
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