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 ESPECIAIS - ELEIÇÕES 2002

Horário eleitoral influencia voto de brasileiro
Cientista político derruba mito de que eleitor desliga a TV quando programa começa

Pela No dia 6 de outubro, a população brasileira comparece às urnas para escolher deputados, senadores, governador e presidente. No horário eleitoral, que teve início em 20 de agosto, candidatos falam de seu passado político, expõem suas propostas e apresentam denúncias contra os concorrentes. Embora o senso comum diga que o horário eleitoral é enfadonho, o público não desliga a televisão quando ele começa. "Na verdade, isso não passa de um mito: grande parte da população assiste ao programa, que constitui uma das principais fontes de informação para o eleitor", afirma o cientista político Antônio Fernandes, que defendeu em 2001 dissertação de mestrado na Universidade de São Paulo.

Detalhe dos programas na TV de Luís Inácio Lula da Silva, José
Serra, Ciro Gomes e Anthony Garotinho (em sentido horário)


Fernandes investigou a influência sobre o eleitor do horário eleitoral na TV. O professor analisou as eleições ao governo do estado de São Paulo em 1998 à luz de dados qualitativos e quantitativos coletados por institutos de pesquisa de opinião. Fernandes teve também acesso aos índices de audiência do horário eleitoral -- que atingiram 45% na semana que antecedeu as eleições. "Comparei as intenções de voto antes e depois do início do horário eleitoral e percebi que elas mudaram muito", diz. "Todo ano de eleição se registram essas mudanças."

Segundo Fernandes, o brasileiro tem o hábito de se informar pela televisão e de deixar para decidir em quem votar só na última hora. Portanto, como o horário eleitoral começa quando falta pouco tempo para as eleições e vai até suas vésperas, ele se torna uma importante fonte de informação para o brasileiro. "Pessoas de todas as classes assistem ao programa, mas as da C, D e E são as que mais se deixam levar por ele."

A pesquisa de Fernandes mostra que o resultado da eleição ao governo do estado de São Paulo em 1998 sofreu forte influência do horário eleitoral. Logo no início do programa, o candidato Francisco Rossi, do PDT, era apontado como favorito nas pesquisas. No entanto, o candidato do PSDB, Mário Covas, que ocupava o terceiro lugar, entrou com uma ação no Tribunal Regional Eleitoral contra os adversários que, na primeira semana, ultrapassaram o limite de tempo permitido para seus programas. Rossi foi punido e ficou quase duas semanas fora do horário eleitoral. Resultado: o candidato do PDT não chegou nem ao segundo turno, e Covas foi eleito.

Também na atual eleição para presidente, as intenções de voto mudaram após o início do horário eleitoral. "Ciro Gomes caiu nas pesquisas quando o programa começou, provavelmente por conta dos ataques que os adversários dirigem a ele", afirma Fernandes. "Antes, contra-propaganda não ’destruía’ candidatos e podia até ser prejudicial para quem lançava as críticas", diz. "Hoje, parece que o quadro se inverte: quem ataca o adversário sobe nas pesquisas." No entanto, o professor ressalta que não fez um estudo sistemático das eleições de 2002.

Fernanda Marques
Ciência Hoje On-line
23/09/02
 
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