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Juca, um papagaio brasileiro muito esperto! Espécie de ave encontrada no Brasil mostra que consegue reconhecer nomes das cores
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No experimento feito por pesquisadores da USP, Juca era recompensado com alimentos ou brinquedos a cada vez que reconhecia a cor de um objeto. | | | Quem já esteve perto de um papagaio sabe que o bicho volta e meia repete palavras e até frases que ouve por aí. A famosa expressão “Louro quer biscoito”, por exemplo, certamente saiu do bico de algum papagaio tagarela, imitando seu dono, que lhe oferecia uma mordida do que comia! Nem só de repetição, porém, vive essa ave. É o que revela Juca, um papagaio da espécie Amazona aestiva. Ele mostrou aos cientistas que é capaz de reconhecer as cores ‐ como o vermelho e o azul ‐ dos objetos que vê!
Tudo aconteceu no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Lá, pesquisadores que estudam o comportamento animal fizeram alguns experimentos com Juca para observar sua capacidade de aprender. Para isso, utilizaram algumas técnicas especiais que incentivavam a aprendizagem. Em um dos experimentos, foi apresentado para Juca um objeto na cor azul e outra na cor vermelha. Os pesquisadores perguntavam a ele onde estava o objeto vermelho, por exemplo, e se ele caminhasse em direção à cor certa era recompensado. Claro, que o louro estava mesmo era de olho na comida saborosa ou no brinquedo que poderia ganhar se acertasse. Mas o que importa realmente é que ele conseguiu associar a palavra “vermelho” ou “azul” com a cor.
Porém, o Juca não é o único papagaio capaz de reconhecer cores. Outras espécies que pertencem à sua família também têm essa habilidade, além de mais algumas. Os papagaios cinzentos africanos (Psittaccus erithacus), por exemplo, conseguem dizer qual é a cor, a forma e o material de que é feito um objeto, como comprovaram cientistas americanos. Por isso, as pesquisas com o Juca vão continuar: pretende-se testar se ele tem habilidades como as da espécie encontrada na África.
Mas não se engane: o fato de certos animais, como o Juca, repetirem palavras, não significa que os papagaios falam como nós, os seres humanos. Para o orientador da pesquisa com a ave brasileira, Eduardo B. Ottoni, não se pode afirmar isso, pois a capacidade de falar é muito mais complexa do que parece. Há áreas responsáveis pela fala no cérebro das pessoas que ainda não foram descobertas nessas aves. O que acontece com os papagaios é um processo muito mais simples. Esses animais, como muitos outros, emitem sons próprios de sua espécie para se comunicar, mas com uma diferença: os sons emitidos pelos papagaios são muito parecidos com a nossa fala, o que facilita a imitação mecânica da voz humana.
Será, no entanto, que até mesmo os papagaios criados como bichos de estimação têm essa capacidade de reconhecer cores, como o Juca, ou até mais do que isso, como o papagaio cinzento africano? Bem, só mais estudos podem responder essa questão! Porém, para quem tem um bicho desses em casa, vale um alerta: a maior parte dos papagaios são capturados na natureza e retirados brutalmente dali. Poucos são criados em locais legalizados para fornecer esses animais para criação. Além disso, essas espécies ficam muito abaladas longe de seu hábitat e sentem muita falta de conviver com animais de sua espécie. Na verdade, como todos nós, “louro quer liberdade!”.
Cáthia Abreu Ciência Hoje das Crianças 14/04/05 |