em dezembro de 2001, mas faltava compartilhar os resultados com a comunidade científica. E foi isso que fizeram os membros do Consórcio Nacional Brasileiro para o Seqüenciamento de Genomas, uma rede de 25 laboratórios espalhados por todo o país.
O artigo da PNAS tem seis páginas e é assinado por 109 pesquisadores. O autor principal é o geneticista britânico Andrew Simpson, do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, que coordenou o trabalho em rede dos laboratórios. Além de oferecer um panorama geral das 4,75 milhões de 'letras' que compõem o genoma da bactéria, o artigo procura compará-lo com o DNA de outros microrganismos já seqüenciados.
A análise mostra que ela tem similaridade de 17,4% com a bactéria fitopatógena Ralstonia solanacearum e de quase 10% com a Neisseria meningitidis ou a Pseudomonas aeruginosa, que podem provocar doenças e infecções no homem.
A C. violaceum é conhecida pela ciência desde o fim do século 19, mas os estudos feitos sobre ela se limitavam à violaceína. Esse pigmento produzido pela bactéria tem grande potencial de uso na medicina: ele apresenta ação antibiótica contra microrganismos como Mycobacterium tuberculosis, Trypanosoma cruzi ou Leishmania sp. Suspeita-se ainda que ele tenha ação antiviral e anticancerígena.
No entanto, quase nada se sabia sobre a C. violaceum em escala genética e molecular. Daí a importância de se seqüenciar seu genoma. O trabalho, afirmam os cientistas brasileiros no artigo, "revelou um retrato detalhado da complexidade molecular necessária para a versatilidade do organismo".
É essa versatilidade que explica "sua habilidade para tolerar uma variedade de condições ambientais relativamente severas, que inclui a escassez de nutrientes, altas temperaturas, altos níveis de radiação e concentrações elevadas de agentes tóxicos". Resta esperar agora que os resultados do seqüenciamento sirvam logo de base para novos estudos que permitam explorar essa habilidade.
Bernardo Esteves
Ciência Hoje On-line
22/09/03