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Na corda bamba ambiental Divulgada nova versão da Lista Vermelha de espécies ameaçadas; relação brasileira vai virar livro
A versão de 2004 da Lista Vermelha de espécies ameaçadas de extinção acaba de ser divulgada pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN na sigla em inglês). Os resultados não são animadores: 15 espécies foram consideradas extintas nos últimos 20 anos e outras 12 sobrevivem apenas em cativeiro.
A Lista Vermelha deste ano cresceu de forma significativa em relação à versão de 2003: são 3330 espécies a mais. No total, são 15.589 espécies ameaçadas (7266 animais e 8323 vegetais). Esse aumento, no entanto, não reflete um surto de extinções ocorrido no último ano: ele pode ser explicado em parte por conta da inclusão de relações inéditas das espécies ameaçadas de anfíbios e de dois grupos de vegetais (coníferas e cicadáceas), feitas recentemente pela IUCN, além de reavaliações de critérios para listas de outros grupos.
Mesmo assim, a IUCN afirma que a degradação ambiental está acelerada como nunca. Acredita-se ainda que, devido a aproximações, o número de espécies ameaçadas ou extintas possa ser ainda maior do que indicam os índices da Lista.
De acordo com as informações da Lista Vermelha, o número de espécies ameaçadas aumentou em todos os grupos taxonômicos. Outro dado preocupante é a igualdade entre a ameaça de extinção de espécies continentais e insulares. A maior fragilidade dos ecossistemas de ilhas explicaria o desaparecimento mais rápido dessas espécies. Apesar disso, os números apontam que, mesmo nas áreas continentais, o risco não diminui.
A maioria das espécies ameaçadas de extinção encontra-se em áreas de grande concentração populacional. Não à toa, os países com o maior número de espécies endêmicas (que ocorrem em uma única área) na lista são Brasil, China, Austrália, Indonésia e México.
A situação da fauna brasileira na lista da IUCN reflete também o descaso com a preservação ambiental. Segundo esse documento, os países que menos destinam recursos à preservação ambiental são aqueles que figuram como os primeiros na contagem de espécies endêmicas ameaçadas. O Brasil, aliás, foi o único país nominalmente citado como exemplo dessa categoria.
Isso se reflete em números: há no Brasil 42 espécies de mamíferos endêmicos ameaçados, o que faz com que ocupe o sexto lugar numa lista de 239 países. Os números alarmantes aparecem também na Lista Brasileira da Fauna Ameaçada, um projeto realizado pela Fundação Biodiversitas em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, Ibama, Sociedade Brasileira de Zoologia, Conservation International do Brasil e Instituto Terra Brasilis.
Essa lista, oficializada pelo Ministério do Meio Ambiente em 2003, revela que há 395 espécies terrestres ‐ mamíferos, aves, anfíbios, répteis e invertebrados ‐ ameaçadas de extinção, a maioria na categoria "vulnerável", que é o nível de ameaça mais brando, o que não deixa de ser preocupante.
As espécies aquáticas foram listadas apenas em 2004, depois de um ano de discussões e novas pesquisas. O motivo principal é que a primeira lista de peixes e invertebrados aquáticos trazia espécies predadas com fins comerciais. A presença delas na lista poderia gerar problemas econômicos e jurídicos, já que representaria a proibição da pesca. Por conta disso, a equipe responsável pelas espécies aquáticas estabeleceu cotas para sua pesca e a época do ano em que ela estaria liberada.
Para traçar novas estratégias de proteção ambiental e evitar que mais espécies entrem na lista vermelha de 2005, realiza-se de 17 a 25 de novembro o Terceiro Congresso da IUCN pela Conservação Mundial, em Bangkok. Lá, mais de mil organizações parceiras e 5 mil delegados, inclusive representantes governamentais, do setor privado e do terceiro setor, pretendem alertar o mundo para a rapidez sem precedentes com a qual algumas espécies têm sumido do planeta.
Aline Gatto Boueri Ciência Hoje On-line 19/11/04
A SITUAÇÃO NO BRASIL 1/4 dos mamíferos e 1/3 dos anfíbios estão ameaçados Leia a seguir uma entrevista com o zoólogo Adriano Chiarello, pesquisador da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), coordenador da parte de mamíferos da Lista Brasileira da Fauna Ameaçada.
CH On-line: Na Lista Vermelha da IUCN, para falar apenas de espécies endêmicas, há 42 mamíferos, 67 aves e 106 anfíbios ameaçados no Brasil. Considerada a diversidade da fauna brasileira, esses números são preocupantes? Adriano Chiarello - Sim, mesmo com a grande diversidade da fauna brasileira os números são altos. É preciso lembrar, porém, que a lista da IUCN é internacional e, em termos de precisão, é mais seguro considerar a lista nacional. A lista brasileira difere em números da lista da IUCN. A que isso se deve? Há diferenças numéricas, devido apenas a uma questão de maior precisão da lista brasileira. Em termos gerais, ambas refletem a mesma situação - como, por exemplo, o fato de 1/3 dos anfíbios e 1/4 dos mamíferos brasileiros estarem ameaçados de extinção em algum grau.
A lista brasileira de 2003 não inclui espécies vegetais. Há planos para que as plantas sejam categorizadas no futuro? Tradicionalmente, as plantas não são incluídas nas listas de espécies ameaçadas. Mas há um processo em andamento, coordenado pela Fundação Biodiversitas, para produzir uma listagem de plantas.
Que bioma brasileiro encontra-se em situação mais crítica? A mata atlântica é o bioma mais afetado. Basta dizer que restam apenas de 7 a 8% de sua cobertura original. É um processo de degradação que ocorre desde 1500. Mas é importante ressaltar que esse é também o bioma mais conhecido, com o maior número de espécies listadas. O menor conhecimento dos outros biomas pode mascarar seu grau de degradação. Um bom exemplo disso é o cerrado, que já perdeu 60% de sua cobertura original em um espaço de 40 anos. A degradação desse bioma está muito acelerada e há ali um grau de impacto alto, que pode se igualar ao da mata atlântica em muito menos tempo.
O mico-leão dourado apresentou um aumento significativo de sua população nas últimas três décadas. A que se deve a boa notícia? Políticas mais eficazes de controle predatório e educação ambiental da população foram fundamentais. Aliado a isso, um projeto de criação em cativeiro e a reintrodução da espécie na natureza, com monitoramento, para que pudessem reproduzir livremente fez com que a população passasse de 300 no final da década de 1970 para mais de 1000 no ano passado. Na lista anterior da IUCN, o mico-leão dourado estava na categoria de "sério risco de extinção"; na atual, figura como "em risco de extinção". É uma vitória e esse projeto está sendo aplicado atualmente também para as outras três espécies de mico-leão, igualmente ameaçadas. São elas o mico-leão-da-cara-preta, o mico-leão-da-cara-dourada e o mico-leão-preto.
Por que a Lista Brasileira da Fauna Ameaçada produzida em 2003 será publicada apenas neste ano? A lista se tornou pública no ano passado e foi publicada no Diário Oficial. Só que nem todos podem ler o DO e decidiu-se disponibilizar ao público leigo em forma de livro, o que só foi possível este ano.
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Confira algumas das espécies da Lista Vermelha 2004. Clique nas imagens para ampliá-las |
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O iguana Cyclura pinguis, presente no passado por todo Porto Rico, só pode ser encontrado na ilha de Anegada (Ilhas Virgens Britânicas). A predação humana e ataques de cães e gatos puseram-no em sério risco de extinção (foto: G. Gerber) |
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O lêmure Propithecus verreauxi é um primata africano encontrado em Madagascar classificado como vulnerável. A caça e a exploração de seu hábitat causaram o declínio da população. (foto: Troy Inman) |
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O morcego Pteropus livingstonii é um dos maiores e mais raros das Ilhas Comores. Vive em florestas montanhosas onde ciclones e o desmatamento causaram prejuízos ao ambiente e à população dessa espécie. (foto: Richard Wainwright) |
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O caramujo Trachycystis clifdeni, endêmico da floresta de Dlinza, na África do Sul, corre sério risco de extinção. Apenas uma pequena porção da floresta é protegida. Mudanças climáticas podem também ter afetado a população dessa espécie (foto: Dai G. Herbert) |
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O Sri Lanka, onde vive o pequeno primata Loris tardigradus, perdeu uma imensa porção de sua floresta original desde 1956, que deu lugar a atividades humanas. Ele está em risco de extinção devido à redução de seu hábitat (foto: Anna Nekaris) |
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Encontrada no sul do Chile e na Argentina, a Fitzroya cupressoides é uma das maiores árvores do clima temperado sul-americano. Explorada desde o século 16, ocupa apenas 15% da área original. (foto: Cristian Echeverria) |
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Hyperolius rubrovermiculatus é o nome desse sapo em risco de extinção que habita a costa do Quênia. A expansão agrícola e a ocupação de seu hábitat por humanos provavelmente reduziram sua população. (foto: de Saix) |
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O mico-leão-dourado (L. rosalia) simboliza a luta pela preservação da fauna brasileira. No final dos anos 70 havia na mata atlântica apenas 300 exemplares. Devido a um projeto de conservação, sua população passa de mil indivíduos na natureza. (foto: Juan Pratgin) |
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A tartaruga de água doce Callagur borneoensis está em sério risco de extinção devido à procura por seus ovos e à destruição de seu hábitat. Ela vive no sul da Tailândia, na península da Malásia e em Bornéu. (foto: Peter Paul van Dijk) | |