, em um reservatório hipotético de cometas conhecido como Cinturão de Kuiper.
O corpo celeste recém-descoberto não é grande o bastante para ser considerado um planeta -- embora não haja consenso entre os astrônomos quanto à definição de planeta. "Satélites de alguns planetas do Sistema Solar -- inclusive a própria Lua -- são maiores que Plutão, mas como orbitam planetas, são considerados satélites", explica Cristóvão Jacques, diretor científico do Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais (Ceamig).
Apesar disso, Quaoar possui volume maior que todos os asteróides conhecidos juntos. Os autores da descoberta, Michael Brown e Chadwick Trujillo, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech/EUA), suspeitam que o corpo celeste seja constituído em sua maior parte por gelo de baixa densidade misturado a rochas -- composição similar à de um cometa. Assim, sua massa corresponderia a um terço da massa do cinturão de asteróides.
O nome dado ao corpo celeste recém-descoberto ainda não é oficial. Brown e Trujillo sugeriram a denominação em homenagem ao deus da criação da tribo Tongva, que originalmente habitava a região onde se localiza o Caltech. A decisão final, no entanto, cabe à União Internacional de Astronomia.
Como Plutão, Quaoar localiza-se no Cinturão de Kuiper, região que se estende por 5 bilhões de quilômetros além de Netuno. Sua descoberta retoma discussões sobre a origem e dinâmica dos planetas e os misteriosos corpos que habitam essa área. "O Cinturão de Kuiper ainda é uma região pouco explorada pelos cientistas", explica Jacques. "Para esse tipo de observação são necessários longos períodos de utilização de telescópio, o que nem sempre é possível pois vários cientistas disputam o mesmo equipamento."
Mesmo assim, na última década, mais de 500 corpos celestes de gelo foram detectados nessa área. O maior objeto do Cinturão de Kuiper conhecido até a descoberta de Quaoar chama-se Varuna e mede aproximadamente 900 quilômetros de diâmetro. Brown ainda acredita na existência de outros grandes objetos celestes na região. "Pode ser até que o Cinturão de Kuiper abrigue planetas maiores que Plutão", completa Jacques.
Elisa Martins
Ciência Hoje on-line
06/11/02