BUSCA  DICAS
 
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   



  REVISTA CHC 194 :: SETEMBRO DE 2008

Você sabia que todos os seres vivos, inclusive os humanos, estão em permanente evolução?
Entenda como os organismos se modificam ao longo do tempo, dando origem a novas espécies


(ilustração: Fernando)

Quantos anos a Terra tem? Como explicar a origem dos diferentes seres vivos que existem aqui? Até o século 19, era aceita a idéia de que o nosso planeta tinha somente alguns milhares de anos – e não 4,6 bilhões, como sabemos hoje – e que todos os seus habitantes – plantas, animais e o ser humano – haviam sido criados por Deus do jeitinho que os vemos atualmente: ou seja, não haviam mudado nada desde o momento em que surgiram. Em 1859, porém, Charles Darwin mostrou que a história poderia ser diferente. Nesse ano, o naturalista inglês apresentou a teoria de que os seres vivos evoluem por meio da seleção natural. Com ela, Darwin afirmou que os organismos se modificam ao longo do tempo, dando origem, assim, a novas espécies.

Como isso acontece? Darwin percebeu que, na natureza, os alimentos não são abundantes e, desse modo, todos os seres vivos têm que competir entre si, a fim de sobreviver. As espécies com as melhores características têm uma chance maior de sobreviver e de se reproduzir, passando essas melhores características para sua prole numerosa. Assim, as melhores características vão se espalhando nas populações naturais ao longo das gerações, até chegar um momento em que todos os indivíduos da espécie apresentam aquela melhor característica.

É fácil a gente notar como isso ocorre quando falamos do passado. Afinal, não faltam exemplos que mostram como novas espécies vão surgindo a partir das antigas por meio de mudanças que ocorrem gradativamente. Só para citar um exemplo de uma mudança extrema, basta dizer que foi um grupo específico de dinossauros que deu origem às aves. Porém, é importante deixar claro que esse processo de mudanças ainda acontece com todos os seres vivos. A evolução ocorre sem interrupção e atinge também a nós, seres humanos.

Você sabia, por exemplo, que existe uma possibilidade de a espécie humana estar passando por um processo que poderia levar à formação de uma nova espécie humana? Pois é. Pesquisadores trabalham com a idéia de que mudanças – que a gente não consegue nem controlar nem ver – possam, talvez, já estar em curso e, com o passar do tempo, se acumulem de tal forma que, eventualmente, se tornem tão marcantes que resultem em uma outra espécie humana no planeta, diferente da nossa (a Homo sapiens), e com a qual não poderíamos reproduzir. Trata-se de um tema que ainda gera muita discussão. Mas – é bom que se deixe claro – o aparecimento de novas espécies humanas não tem nada a ver com cor de pele ou etnia. Envolve mudanças bem pequenas, que não podemos ver ou perceber através dos nossos sentidos: mudanças nos genes – trechos do DNA, a molécula responsável por definir as nossas características.

Essas mudanças acontecem em todas as populações naturais e só com o passar de muito e muito tempo poderiam ser observadas – ou não – do ponto de vista físico. Tais modificações servem para mostrar que nós não estamos parados no tempo – e nem imunes à seleção natural e à evolução.


Claudia Russo
Instituto de Biologia
Universidade Federal do Rio de Janeiro 

INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO