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  REVISTA CHC 193 :: AGOSTO DE 2008

De colar a estudo científico
Conheça o âmbar, uma resina da seiva de árvores que conta a história de milhões de anos


(Foto: Fabio Colombini)

Era aniversário da Diná e Rex quis comprar um presente bem bonito. Pensou em livro, bolsa, vestido, mas acabou escolhendo um colar com uma grande pedra amarela. Pediu para o vendedor fazer um embrulho caprichado e foi para casa se arrumar para a festa.

Rex tocou a campainha e a aniversariante veio, toda contente, recebê-lo. Ganhou um abraço e o colar, que ela colocou na mesma hora e correu para se olhar no espelho. Olhando a pedra bem de pertinho, Diná percebeu que havia alguma coisa dentro. Um inseto! Mas como ele foi parar lá?

Diná foi depressa perguntar ao Rex por que havia um inseto no pingente do seu colar. Rex olhou para a amiga com cara de assustado e de quem não tinha a resposta. Nisso, Zíper também se aproximou para ver a pedra e... Pronto! Já não tinha mais ninguém em torno do bolo para cantar parabéns. Foram todos pesquisar sobre o assunto. Diná e Zíper tiraram um monte de livros da estante e Rex foi para o computador. Pouco tempo depois, o dinossauro gritou: – Achei!

A primeira coisa que Rex descobriu é que o pingente do colar não era uma pedra, mas um âmbar, ou seja, uma resina formada pela seiva de árvores existentes há milhões de anos. Segundo ele, quando a casca dessas árvores sofria algum dano, a planta liberava uma seiva que funcionava como uma casquinha de machucado: um meio natural de facilitar a cicatrização e evitar infecções.

Antes de endurecer, a seiva tinha uma consistência pastosa. Então, se algum inseto tentasse pousar naquele local, ficava preso nela. Com o passar de dois a dez milhões de anos, e dependendo das condições do ambiente – como a temperatura e a umidade –, as resinas endureciam e formavam os âmbares, que ficavam duros como pedras e ganhavam uma coloração que vai do amarelo ao laranja.

Ao longo dos séculos, a beleza dos âmbares sempre atraiu a atenção das pessoas. Alguns povos primitivos, por exemplo, os usavam como amuletos. Muito tempo depois, o âmbar também passou a ser utilizado no preparo de verniz, sabonete, sais de banho ou produtos farmacêuticos. Além disso, por ser fácil de esculpir e polir, os âmbares são muito valorizados como jóias. Só para você saber, o primeiro colar de âmbar data de, aproximadamente, onze mil anos atrás.

Mas não é só pela sua beleza que os âmbares são valorizados: quando contêm fósseis de animais ou plantas, são muito importantes para a pesquisa dos organismos e ambientes de milhões de anos atrás. A maior parte dos fósseis encontrados em âmbar é de insetos, mas, também, são encontrados anfíbios, répteis, penas de aves, pêlos de mamíferos, fungos e bactérias, além de material vegetal, como flores, folhas e pólen.

A maioria dos fósseis preservados em âmbar é de insetos (fotos: José Dilermando Andrade Filho).


O mais curioso é que o âmbar é capaz de guardar muito bem pequenos animais terrestres que não ficam preservados de outra forma. Isso ajuda os cientistas a imaginar como eram as florestas do passado e que bichos as habitavam. Além disso, como alguns desses animais transmitiam doenças, estudá-los é uma forma de desvendar os males de muitos anos atrás. Por exemplo, já foram encontrados em âmbar piolhos, pulgas, carrapatos, mosquitos etc. São os tataravós dos animais que até hoje podem prejudicar a saúde humana... 


José Dilermando Andrade Filho
Fundação Oswaldo Cruz



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