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A coluna Caçadores de Fósseis é publicada na primeira sexta-feira do mês pelo paleontólogo Alexander Kellner, pesquisador do Museu Nacional. Visite o
arquivo
para ler as colunas anteriores e leia a
apresentação
do colunista. Envie críticas, comentários e sugestões para
alexander.kellner@
gmail.com
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COLUNAS :: CAÇADORES DE FÓSSEIS
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Nova hipótese para a origem das baleias
Fósseis de um ancestral comum de cetáceos e hipopótamos encontrados na Índia ajudam a entender evolução de mamíferos
A origem dos grandes grupos de vertebrados é um dos tópicos mais atraentes da paleontologia. Um bom exemplo é o dos cetáceos, grupo que reúne baleias e golfinhos e inclui o maior vertebrado conhecido: a baleia azul, com 30 metros de comprimento. O surgimento desse grupo é um fascinante capítulo da evolução da vida, no qual os mamíferos terrestres passaram a ter hábitos aquáticos, como alguns de seus ancestrais.
Olhando para as baleias, é difícil entender como elas poderiam ter se desenvolvido de animais terrestres. Porém, novas descobertas confirmam o que os pesquisadores suspeitam há algum tempo: os cetáceos estão proximamente relacionados com os artiodáctilos (também chamados de mamíferos com cascos), o que é corroborado por estudos moleculares.
Muitas pesquisas sugerem que, dentro dos representantes atuais dos artiodáctilos, os cetáceos estariam mais proximamente aparentados com os animais do grupo dos hipopótamos. Essa relação de parentesco é estabelecida por diversas feições dentárias (por exemplo, ausência de paracônulos nos molares superiores) e também pela ausência de pêlos ou glândulas sebáceas.
Devido às óbvias diferenças entre os hipopótamos e as baleias, estava claro que deveria existir uma série de outros grupos fósseis mais proximamente relacionados aos cetáceos. Justamente a descoberta de fósseis desse tipo foi publicada pela
Nature
em dezembro de 2007 por pesquisadores de instituições norte-americanas e da Índia.
Fósseis mais completos
Liderados por J. Thewissen, da Escola de Medicina das Universidades do Nordeste do Ohio (Estados Unidos), os cientistas encontraram fósseis de um mamífero do grupo Artiodactyla chamado
Indohyus.
Antes disso, essa espécie era conhecida apenas por restos dentários, o que dificultava sua comparação com outros mamíferos do mesmo grupo e também com os mais primitivos membros dos cetáceos.
Os fósseis descritos pela equipe de Thewissen incluem, além de mais material dentário, restos do crânio e do restante do esqueleto. Todos os exemplares foram coletados em Sindkhatudi, na região de Kalakot, que fica na parte da Cachemira situada na Índia. A datação indica que os fósseis são do Eoceno médio (há cerca de 50 milhões de anos), de quando datam também os primeiros registros fósseis das baleias.
Comparações morfológicas mostraram que o
Indohyus
possui características intermediárias entre os cetáceos mais primitivos e os artiodáctilos. Entre elas, está o espessamento da parede óssea de parte da região auditiva, que, até então, era tida como uma característica exclusiva das baleias.
Outra característica descoberta pelos pesquisadores foi o espessamento da parede óssea de mais partes do esqueleto no
Indohyus,
em particular dos membros. Essa feição é típica de animais aquáticos como os hipopótamos e diversos grupos de répteis marinhos, e tem o objetivo de prover lastro para que esses animais se locomovam dentro da água.
Por isso, os autores concluíram que
Indohyus
era um animal que passava um bom tempo dentro da água. Estudos de isótopos estáveis realizados nos dentes desse mamífero também confirmaram esta interpretação.
Nova hipótese
Por fim, com base no estudo, os pesquisadores propuseram uma nova hipótese para a origem dos cetáceos. Segundo a nova teoria, os ancestrais das baleias eram animais do grupo dos artiodáctilos onívoros ou herbívoros, que se alimentavam possivelmente em terra firme. Em situações de perigo, esses mamíferos se refugiavam na água.
Com o passar do tempo, esses hábitos aquáticos foram aumentando em formas como o
Indohyus,
cuja alimentação podia ser mista e não necessariamente exclusivamente constituída de organismos aquáticos. No estágio seguinte, o ancestral diretamente ligado aos cetáceos teria mudado a sua alimentação para presas que viviam na água. Segundo os autores do estudo, essa mudança de hábito alimentar favoreceu mudanças na dentição e no crânio e foi determinante para o surgimento das primeiras baleias.
Ainda existem algumas questões em aberto em relação à origem dos cetáceos. De qualquer maneira, de uma forma geral, esta descoberta – ao lado de outras mais, realizadas na mesma área da Índia – parece indicar que as baleias se originaram nessa região e se espalharam pelos demais continentes.
Alexander Kellner
Museu Nacional / UFRJ
Academia Brasileira de Ciências
02/05/2008
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Confira imagens do ancestral das baleias encontrado na Índia (clique para ampliar).
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Baleia-jubarte
(Megaptera novaeangliae)
fotografada nos EUA. A espécie pertence ao grupo dos cetáceos, que inclui baleias e golfinhos (foto: Whit Welles).
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Representação artística do
Indohyus,
mamífero que viveu há 48 milhões de anos na Índia. Esse animal passava muito tempo na água e é um ancestral dos cetáceos atuais (arte: Carl Buell).
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Crânio do
Indohyus.
A parede óssea de parte da região auditiva dessa espécie tem ca
racterísticas intermediárias entre os cetáceos mais primitivos e os artiodáctilos (foto: Neoucom).
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Fósseis do
Indohyus
encontrados na Índia em camadas rochosas com 48 milhões de anos. Antes disso, a espécie só era conhecida por dentes fossilizados (foto: Jeanette Killius, Neoucom).
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Corte transversal do fêmur do
Indohyus
encontrado na Índia. O espessamento da parede desse osso, típica de animais aquáticos, indica que essa espécie passava boa parte do tempo na água (foto: Lisa N. Cooper / David A. Waugh).
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Reconstrução do esqueleto do
Indohyus.
Os trechos pontilhados foram reconstituídos com base em dados sobre espécies aparentadas (arte: Nature).
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Paleocurtas
As últimas do mundo da paleontologia
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(clique nos links sublinhados para mais detalhes)
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Acaba de ser descrita a mais antiga espécie conhecida até o momento do grupo dos Lagomorpha, que inclui coelhos e formas afins. A descrição se baseou em restos de ossos do pé encontrados em rochas formadas há aproximadamente 53 milhões de anos na região de Gujarat, Índia, estendendo o registro desse grupo naquele país em 35 milhões de anos. A descrição da espécie foi feita pela equipe de Kenneth Rose, da Escola Universitária de Medicina Johns Hopkins (Estados Unidos), e publicada na
Proceedings of the Royal Society B.
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As seqüências de proteínas obtidas em colágeno de
Tyrannosaurus rex
e de um mastodonte
(Mammut americanum)
foram comparadas com as de animais recentes pela equipe de Chris Organ, da Universidade Harvard (EUA). Conforme esperado, o mastodonte está muito relacionado com os elefantes, enquanto o
T. rex
está mais proximamente ligado às aves, confirmando os resultados de análises com dados morfológicos. O estudo, publicado na
Science
, corrobora a noção de que moléculas de colágeno obtidas em fósseis podem ser empregadas para determinar a relação de parentesco de diferentes espécies.
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A descrição de um esqueleto articulado de um dinossauro do grupo dos titanossauros procedente da Patagônia (Neuquén) acaba de ser publicada na
Paleoworld
. Segundo a equipe de Bernardo Riga, da Universidade Nacional de Cuyo (Argentina), esse animal, que ainda não possui nome, tem os membros posteriores (incluindo os pés) bem preservados, o que revela que os titanossauros tinham uma redução gradual no tamanho e no número de falanges.
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Acaba de ser descrita uma nova espécie de peixe placodermo – forma muito primitiva, provida com uma pesada armadura óssea. A espécie ganhou o nome de
Yiminaspis shenme
e foi apresentada por Vincent Dupret, do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia (Pequim), no
Journal of Vertebrate Paleontology.
O animal foi encontrado em rochas do Devoniano (410 milhões de anos) da região de Yunnan, na China, aumentando a diversidade desse grupo na Ásia.
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Um artigo de revisão sobre a Bacia de São José de Itaboraí foi publicado recentemente por Lílian Bergqvist, do Instituto de Geociências da UFRJ, e colaboradores. Essa contribuição faz parte da série
Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil,
uma iniciativa com o objetivo de cadastrar importantes localidades tidas como patrimônio geológico a ser preservado em nosso país.
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O Departamento de Ciências Biológicas e o Museu de História Natural da Universidade Estadual de Idaho (Estados Unidos) estão organizando um simpósio internacional e uma oficina sobre tigres-dente-de-sabre e formas afins. O evento será realizado entre 12 e 16 de maio próximo. Mais informações:
www.isu.edu/bios
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