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Preciosa herança
Filme mostra danças, cantos e festejos criados pelos escravos e que permanecem vivos até hoje
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Dia de festa e de dançar jongo no Quilombo São José da Serra, no Vale do Paraíba, Rio de Janeiro (fotos: Projeto Jongos, calangos e folias).
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Com certeza você sabe que, durante séculos, pessoas negras foram trazidas à força da África para trabalharem como escravas no Brasil. Aqui, homens e mulheres enfrentaram uma dura rotina, repleta de maus-tratos. Mas, no pouco tempo livre que tinham, eles se reuniam em volta de fogueiras para cantar e dançar. Ali, faziam seus versos e, muitas vezes, entre um batuque e outro, combinavam fugas e lamentavam o cativeiro. Um hábito que fez nascer uma dança – o jongo! – e outras duas expressões culturais cheias de ritmo e rimas – o calango e a folia-de-reis –, todas agora retratadas em um filme.
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Dança, canto, festejos
O jongo mistura canto, dança e percussão em forma de poesia. A dança acontece em volta de uma fogueira. Em círculo, dançarinos evoluem, enquanto o restante da roda faz coro e responde ao refrão. Na roda, há quem toque o caxambu – tambor volumoso que marca o ritmo dos jongueiros.
É nas festas de jongo que acontecem os calangos, que têm como características a dança em pares e a música acompanhada por uma sanfona. Em geral, são os membros mais jovens da comunidade que o dançam. Durante o calango, uma pessoa pode desafiar a outra com seus versos, que precisam ter resposta imediata, no susto!
Já as folias-de-reis são feitas por famílias devotas dos três reis magos: Melchior, Gaspar e Baltazar, que, segundo a Bíblia, visitaram Jesus após o seu nascimento. Os grupos familiares – que têm especial apego a Baltazar, o único negro entre os reis magos – festejam animados, alguns vestidos de palhaços, acompanhados por músicos, e percorrem várias localidades, em épocas próximas ao Natal.
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Produzido por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF),
Jongos, calangos e folias – música negra, memória e poesia
foi feito a partir de visitas a comunidades formadas por descendentes de africanos no Rio de Janeiro, onde ainda estão vivas as manifestações culturais que dão nome ao filme e que têm sua origem na luta dos escravos pela liberdade. Lá, filhos, netos e outros parentes de africanos escravizados no passado foram entrevistados e contaram um pouco sobre a história de sua família e também sobre o jongo, o calango e a folia-de-reis.
“Para fazer o DVD, percorremos três grandes regiões: o litoral Sul e Norte do estado do Rio de Janeiro; o Vale do Paraíba, principal região cafeeira do século 19, onde foram pesquisados grupos de jongueiros e de calangueiros; e a Baixada Fluminense, onde pesquisamos principalmente grupos de folias-de-reis nos municípios de Mesquita e Duque de Caxias”, conta Hebe Mattos, professora do Departamento de História da UFF e uma das coordenadoras do projeto.
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Para interpretar a folia-de-reis, os moradores dos quilombos vestem fantasias.
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Além de um acervo com mais de 180 horas de depoimentos dados pelas pessoas das comunidades visitadas, a equipe trouxe ainda muitas experiências e histórias interessantes dos locais pelos quais passou. Na vila de Pedro Carlos, no Quilombo de São José da Serra, em Valença, por exemplo, um grande baile se formou de improviso, enquanto era registrado o som da sanfona do Seu Manoel do Calango, um especialista em tocar o ritmo.
Agora que a cultura africana faz parte dos currículos escolares de todo Brasil, assistir a
Jongos, calangos e folias – música negra, memória e poesia
pode ser um bom programa para fazer em sala de aula ou mesmo em casa. Então, que tal dar essa dica ao seu professor ou aproveitá-la com os seus amigos? Em breve, o filme estará disponível na internet. Além disso, você pode saber como adquiri-lo pelo correio na página virtual do
projeto Jongos, calangos e folias
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Se você ficou interessado, então assista abaixo a um trecho do filme
Jongos, calangos e folias – música negra, memória e poesia
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Cathia Abreu
Ciência Hoje das Crianças
22/04/2008
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